A Colecionadora de Estrelas

Ao descobrir uma forma de aprisionar estrelas, Seraphine inicia uma busca atrás das mais raras, mesmo sendo contra as leis de Southern Falls. Ela então arrisca tudo para seguir seu fascínio pelos astros, mesmo colocando em risco tudo o que seu povo levou anos para conquistar.

Seraphine fitava o céu insistentemente. “Hoje eu sei que ela vem”, repetia em sua cabeça como se fosse um mantra.

Há poucos meses, ela vinha colecionando aqueles brilhos que caíam do céu. Guardava-os com cuidado em uma caixinha que escondia debaixo da cama. Ninguém poderia saber sobre aquilo, eram sua fortuna e seu tesouro.

Olhou no relógio: faltavam apenas cinco minutos, de acordo com a previsão da Professora Kyone. Ela esperava pegar a mais brilhante de todas. Tinha preparado todas as ferramentas das quais precisaria: seu livro de feitiços, as jarras de vidro e a cera mágica que as abelhas produziam somente naquela parte específica de Charimel.

Seraphine saiba que só teria uma chance de pegar a que queria, a mais brilhante, a que brilhava cor de rosa. Olhou para sua caixinha, fitando as luzes que aguardavam as próximas amigas que viriam. Às vezes, a caixinha mexia, mas Seraphine tinha feito um feitiço mais forte dessa vez. “Elas não vão fugir hoje”, pensou orgulhosa de si mesma. Não tinha sido fácil aprender esse feitiço, principalmente escondida.

Para pegar as estrelas, Seraphine subia na torre mais alta da escola e tomava o cuidado de fechar todas as portas no caminho até a sala onde os alunos tinham aula de astronomia. O céu sempre encantou Seraphine e quando ela descobriu que havia a possibilidade de guardar estrelas, ela ficou extasiada.

Só que havia um problema, uma proibição. Aparentemente, estrelas eram capturadas para feitiços das trevas, onde eram usadas para extrair a alma de um ser. Não precisavam ser humano, fada, elfo ou Náiade. Ela acreditava que nem mesmo os poderosos magos que moravam em Eylia estariam imunes se algum feiticeiro poderoso resolvesse usar estrelas para extrair sua alma. “Se bem que eu duvido que eles tenham alguma”, pensou ela revirando os olhos.

Isso era muito mal visto pela sociedade e por todos em Southern Falls, por isso Seraphine o fazia escondido, sem entender como algo tão belo poderia se tornar tão mortal nas mãos erradas. Na verdade, ela sabia o risco de ser pega, mas não conseguia manter-se longe. Somente vê-las riscando o céu à noite já era um espetáculo à parte, mas ela jamais imaginou que seria possível tê-las junto a si.

Em uma aula específica de astronomia, a Professora Kyone explicou que, apesar do foco da sua matéria ser o estudo das estrelas e dos astros no geral, ela alertava os alunos sobre os riscos de feitiços com estrelas. Tudo o que ela ensinava era a história dos astros e como a interpretação das estrelas foi útil a todos os quais lutaram nas antigas guerras.

– Apesar de todas as informações que o céu pode nos fornecer, o povo mágico jamais poderia ter utilizado as estrelas com essa finalidade – ela disse quando Miguel perguntou sobre os feitiços que eram considerados tão perigosos a ponto de serem considerados crimes – Então sim, existem mesmo esses feitiços, mas eles não são ensinados aqui na Academia. Agora abram na página 224 do livro de vocês e analisem a constelação exibida.

A classe obedeceu à professora prontamente, mas a curiosidade de Seraphine só aumentou depois desse dia. Depois de muitas buscas, pesquisas e idas clandestinas na Sessão Reservada da biblioteca, ela finalmente encontrou uma única página perdida de feitiços estelares, jogada entre um livro de poções e outro de necromancia. Ela achou estranho aquela página estar solta ali, mas não reclamou, tinha em suas mãos os feitiços que mais queria.

No dia seguinte à descoberta, ela quis começar a praticá-los logo de manhã, mas a Professora Kyone disse em aula que iriam demorar alguns dias para uma boa chuva de estrelas. Seraphine não desanimou. Pensando nisso depois, viu que era o melhor, assim não perderia uma boa chuva tentando praticar e falhando. “Seria muito frustrante”.

Foram dias longos de prática, mas o que os tornava ainda mais cansativos era o fato de que ela tinha que praticá-los sozinha, de madrugada e trancada na torre de astronomia. Quase tomou bomba na prova de transfiguração por causa das práticas, mas só pensava nas estrelas. Imaginava-as em seu quarto, em jarras de vidro, iluminando o ambiente.

Sua determinação em aprender os feitiços da forma correta só aumentou quando a professora ensinou-os a diferenciar as estrelas e que, de longe não aparentavam a mudança das cores, porém de perto, elas exibiam um brilho suave com cores diferentes.

Seraphine olhou para sua caixa uma última vez antes de fechá-la e se concentrar para capturar a cor de rosa. Viu que tinha várias brancas, que eram as mais comuns e não precisavam de um feitiço muito poderoso para captura-las. Ficou contente em ver duas azuis e uma lavanda. Precisava pegar a rosa e a mais rara de todas: uma verde que só passava a cada cinco anos. Consequentemente, ela era a mais poderosa e a que continha mais magia…

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Sobre GabisNika | Gabriela Resende - Escritora

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